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Disk Chocolate: Círculos Viciosos que Levam à Pirataria e ao Comodismo

  • Leonardo · 7 months ago
    É engraçado isso, as pessoas podem reclamar de que só saem sequências, mas é exatamente isso que elas correm atrás quando sai uma feira como a E3 ou a TGS. Qual o jogo que mais me chamou a atenção nessa E3? The Last Guardian (Trico), que é uma (pseudo)sequência.

    Mesmo assim, se você parar pra pensar, não existem muitos jogos realmente novos. Por exemplo, Bayonetta da Sega, é uma evolução de Devil May Cry (dou um desconto já que o criador é o mesmo) ou Nier da Square Enix, que parece um beat'em up genérico (to com branco na cabeça, então não me lembro de mais exemplos).

    Talvez a fórmula a se fazer pra uma empresa nova é começar nos moldes das grandes empresas e caso ela comece a fazer sucesso, tentar inovar aos poucos, fazendo cada projeto de forma diferente mas mantendo um estilo que serve como marca pra eles.

    O Team ICO, por exemplo, embora conecte todos os trabalhos deles, fizeram jogos com conceitos variados dentro de um mesmo tema. Isso é inovar sem perder o campo que já conquistou.
  • Rodrigo Monteiro · 7 months ago
    @Leonardo
    Não tenho certeza se o melhor caminho para uma empresa nova é tentar ser mainstream... Olhe a lista dos jogos "Top Rated" na categoria "Indie" no Steam:

    World of Goo, Braid, AudioSurf, DEFCON, Darwinia, Mr. Robot, Trials 2, Aquaria, Defense Grid, Eets.

    Todos eles (exceto talvez Trials 2, que é igual ao X-moto, não sei qual é mais antigo, e Defense Grid, que é só Tower Defense) são bastante inovadores - alguns eu chamaria de revolucionários. Para a maioria deles, você não pode simplesmente etiquetar com algum outro jogo de referência. Você poderia dizer que Braid é "Mario com manipulação temporal", mas isso seria como dizer que Portal é "Doom com manipulação espacial" - uma espécie de inversão de prioridades, onde toda a alma única do jogo é demovida a algo como um "gimmick".

    Infelizmente, jogos inovadores parecem ser de recepção difícil. Acho que se Portal não tivesse sido empurrado guela abaixo dos fans de FPS pelo Orange Box, muita gente não teria jogado, e talvez tivesse tido o mesmo fim de outros jogos geniais, como Psychonauts.

    No fim, é como filmes. Por mais que saiam filmes geniais (os do Stanley Kubrick, Amélie Poulain, etc), o mais lucrativo sempre vai ser o mainstream. Ação. Comédias românticas. Drama. Será que gostar de coisas inovadoras é coisa de nerd? Um dos motivos pelo qual eu assisto anime é a criatividade de idéias, mais incomum nas produções do ocidente.

    Back to the main topic. Demos... Jogos sem demo me irritam muito. Estou semi-disposto a comprar Killing Floor no Steam, mas não tem demo. Como vou saber se vou gostar? E ainda por cima é multiplayer, não posso nem pegar "demo torrent"... As vezes acho que algumas empresas não lançam demos porque sabem que os jogos não são bons, e que demos fariam as pessoas não comprá-los. Se não fossem as demos, eu provavelmente nunca teria comprado World of Goo e Trackmania.
  • Jônatas Kerr de Oliveira · 7 months ago
    Descobri agora o blog e achei muito legal... muito interessante o assunto!
    Os games são uma mídia muito específica... o prazer proporcionado pela jogabilidade e pela interação são únicos e não existe como um jogador saber se a experiência é prazerosa se não jogar...
    Se o jogador não jogar um jogo, o máximo que ele pode fazer é tentar fazer uma aproximação do que ele viu ou ouviu falar sobre o novo jogo com alguma experiência anterior... em outras palavras, se o cara não jogar, o máximo que dá pra fazer é tentar ver com o que aquele novo jogo se parece e torcer pra ser parecido...
    Um exemplo é o projeto Natal da microsoft que foi mostrado agora na E3... quando vi a demonstração, achei a tecnologia fantástica, mas achei o jogo das bolinhas meio bobo... sem graça... e pensei: espero que eles façam jogos mais interessantes que isso para aproveitar toda essa tecnologia.... só que se vc ler os reviews de quem jogou aquela coisa, é algo totalmente diferente: as pessoas falam que só de ver o personagem na tela repetindo seus movimentos já é algo fantástico... e que o jogo é sensacional... ou seja: não dá pra falar se não jogar.
    Acho que entendendo isso, não existe como falar sobre um jogo se não experimentar... a experiência de um observador é diferente da experiência de um jogador... trailer de jogo não funciona (a menos que seja um remake de algo que vc já tenha jogado)... todo jogo tem que ter um demo para o jogador experimentar....
    Quanto à questão do "demo-torrent-pirata", é algo muito interessante, pois temos uma cultura muito desrespeitosa com os autores aqui no Brasil... para ser sincero, muito dificilmente eu compraria um jogo que eu já estivesse com a versão completa e funcional na mão, mesmo que fosse pirata... eu só compraria se fosse algo que realmente significasse algo pra mim... algo que tivesse alguma ligação emocional além do jogo em si... e isso pode ser inclusive algo do tipo: gostei muito do jogo e gostaria que tivesse um próximo... vou comprar pra ajudar o desenvolvedor para ele ter dinheiro para financiar seu trabalho...
    Acho que esse assunto da cópia pirata é bastante complexo... mas isso já é assunto pra outro post, né?
    Parabéns pelo blog!
  • André G · 7 months ago
    Pois é, a E3 até que foi bem legal, fiquei boqueaberdo (essa palavra existe? O.o) com muita coisa que apareceu, e ri muito tambem...hehe

    Mas é verdade tudo isso, ja baixei muitos jogos piratas pra ver se eu queria comprar ou não por falta de demos :\...
  • smackpot · 7 months ago
    Deve ser o esquema de "em time que se está ganhando não se mexe". Utilizam a mesma fórmula pra chupinhar dinheiro. Existem excessões, GoW por exemplo segue a história. Mario Galaxy aposta na "novidade" e nos fãs que adoram o bigodudo, casual e jogadores antigos.
  • André Monsev · 7 months ago
    Um dos produtores do Zeno Clash postou no pirate bay para os que estavam baixando, dizendo que entendia e que eles não iríam fazer nada contra aquela distribuição "pirata", e que ele até entendia, mas só pedia que, caso gostassem do jogo, comprassem para incentivar a empresa - que é indie. Achei muito legal a atitude deles...ao invés de reclamar, se aproximaram dos consumidores (na verdade, ainda não eram bem consumidores hehe). Isso pq não havia um demo do jogo, ainda. Depois, eles lançaram um demo.

    Quanto à sequências, eu acho que isso aumenta ainda mais quando há uma certa insegurança de algumas empresas, não sempre, é claro, mas por exemplo...crise mundial? É muito arriscado criar algo novo e ainda anônimo, do que pegar e lançar a sequência de alguma série já famosa. Tá acontecendo com o cinema nos últimos tempos...dá pra notar, vários lançamentos que são continuações que, certamente, renderão uma grana. Com jogos, não fica sendo muito diferente. Não que seja certo ou errado...só não dá pra esquecer de lançar coisas novas pq elas, dependendo da qualidade, também podem se tornar sucesso de vendas :)